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Homenagem ao ex-treinador Paulo Emílio

17/05/2016 às 11:15

Lamento o falecimento do Paulo Emílio, meu treinador no Santa Cruz em 1975, num dos melhores momentos do Clube em sua história. Ficamos entre os quatro primeiros do Brasileirão, desclassificando o Flamengo nas quartas-de-final em pleno Maracanã numa vitória por 3x1. Meus sentimentos à família e o reconhecimento pelos seus ensinamentos. Segue um episódio com o Paulo Emílio relatado em meu livro “Um Burro Com Sorte”.

 

Mais que um sonho de menino

Todos nos lembramos de alguns sonhos que tivemos quando crianças. Tenho uma péssima memória, mas alguns sonhos ainda permanecem cravados no meu velho cérebro. Em 1958 meu irmão Loda fez um balão em comemoração ao título mundial. Eu tinha apenas cinco anos. Havia muitos amigos reunidos em frente a nossa casa no bairro do Bacacheri e lá foi o balão, livre, solto, pelos ares de Curitiba. Com as cores do Brasil e uma faixa escrita: Brasil campeão do mundo. Aquela imagem me proporcionou vários sonhos relacionados com o futebol. Não é muito fácil transformar um sonho em realidade. Passei a sonhar em ser um jogador de futebol. Passado alguns anos, já nas categorias de base do Coritiba, tive um sonho que se repetia. Sonhava que estava jogando no Maracanã lotado e um atacante adversário entrava na área e chutava uma bola por cobertura deixando o goleiro sem chances de defesa. Acontece que o zagueiro era ninguém mais ninguém menos que eu, que entrava pela diagonal e de bicicleta, evitava o gol, sem dever nada para o Leônidas, o inventor da jogada! Maracanã lotado, todos perplexos com a minha jogada, aplaudiram! Que bom sonhar. Principalmente quando podemos produzir e protagonizar o enredo. Às vezes podemos conduzir os sonhos para os movimentos que nos deixam em primeiro plano.

E este sonho quase, eu disse quase, se tornou uma realidade. O ano era 1975 e o jogo Flamengo x Santa Cruz. Disputávamos uma vaga para a semifinal do Campeonato Brasileiro. Os outros três times já estavam classificados; Fluminense, Internacional e Cruzeiro. Não, não salvei um gol de bicicleta, mas acho que fomos além de um sonho. Na verdade no meu sonho era apenas uma jogada, onde eu como zagueiro numa bicicleta acrobática, salvava um gol. Mas não conseguia identificar o time e nem dar uma sequencia lógica. Este jogo foi uma feliz realidade. Paulo Emilio, um técnico carioca e que se relacionava muito bem com os jogadores, era o nosso líder. Sabendo da pressão que iríamos receber, tomou uma decisão até então inédita pra mim. Estávamos concentrados no hotel quando recebemos a notícia. Após o jantar vamos todos ao teatro. Achamos um pouco estranho, mas ficamos felizes. A maioria dos jogadores nunca tinha entrado num teatro. A peça que nunca vou esquecer era “A gaiola das loucas” com o Jorge Doria e grande elenco. No meio da peça, todos adorando o desempenho dos artistas, iluminação, enredo engraçadíssimo, envolvendo muitos gays que ainda naquele tempo eram discriminados. Tudo corria bem, com muitas gargalhadas, até que um travesti que dialogava ironicamente com outro mandou a seguinte frase:

_ Eu sou uma “bicha” autêntica, assumida e bem resolvida. Não sou como o Levir e o Fumanchu que são enrustidos!

Senti o teto desabar sobre a minha cabeça. Parecia que todos da plateia olhavam pra mim. Olhei para o Fumanchu e só me veio à cabeça aquela palavra compactada “tamofudido”! Mudei de cor umas três vezes. O Fumanchu só não mudou de cor porque era negro e um tremendo gozador. De volta para a concentração o assunto no ônibus era, obviamente, os dois “babacas”. E o jogo?

O Paulo Emilio foi muito feliz. Era amigo do Jorge Doria, conversou com ele antes da peça e nos pegou direitinho. Rimos tanto, estávamos tão confiantes que nem o Mengão de Zico, Junior e Cia. quebrou o nosso estado de espírito. Vencemos por 3 x 1.

Nunca esqueci o nosso retorno pra Recife. Centenas de torcedores nos esperavam no aeroporto e a Cobra Coral vivia tempos de brilho. Afinal, o tal sonho não se realizou? Pois é. Na verdade não. Mas alguém se encarregou de mudar um pouco o enredo do sonho e aquele dia no Maracanã, acabei recebendo “mais que um sonho de menino”.

 

 

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